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14 de novembro de 2020
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Филипівка – Jejum de São Felipe – 14 de novembro

Филипівка – Jejum de São Felipe

História, propósito e duração do jejum de Natal

História

Entre os séculos IV e V, os assim chamados “Jejuns das Quatro Estações do Ano” se formaram no Ocidente. O papa Leão I (440-461) fala destes jejuns: “no decorrer de todo o ano, os jejuns são tão bem arranjados que a lei de abstinência é prescrita para todas as estações do ano, nomeadamente, o jejum da primavera tem seu lugar durante a Quaresma, o jejum de verão durante o Pentecostes, o jejum de outono no sétimo mês, e o jejum de inverno no décimo mês”. O papa Leão I rende graças a Deus pela colheita como motivo para estabelecer estes quatro jejuns.

Destes quatro jejuns, o jejum de inverno é o núcleo do jejum de Natal. Este jejum se originou na antiga Gália (atual França) onde uma menção é feita de um jejum em preparação para a Natividade de Nosso Senhor tão antigamente como o século V.

Em tempo, o jejum de Natal no Ocidente recebeu o nome de “advento”, que em latim significa “vinda”, isto é, a “vinda” de Cristo. Originalmente, a palavra “advento” significava a festa do Natal; mais tarde, veio a significar o período antes do Natal. No século IX, o Ocidente designou o primeiro domingo do Advento como o início do Ano Litúrgico.

No Oriente, o jejum pré-Natal só se tornou uma prática devido a influência ocidental. A primeira menção do jejum de Natal, que inicia no dia 14 de novembro, foi feita no Calendário Copta do século VIII. No século IX, o jejum de Natal se tornou universal em todo o Oriente.

 

Propósito do jejum de Natal

 

Desde os primeiros tempos, a solenidade do Natal recebeu valor igual ao da solenidade da Ressurreição (Páscoa). Para a Igreja, o jejum de Natal se tornou o símbolo de orações e jejuns dos patriarcas e profetas do Antigo Testamento, que aguardavam a vinda do Messias com anseio.

Durante o tempo deste jejum, a santa Igreja, desejando fortificar os seus fiéis com o exemplo dos santos do Antigo e Novo Testamentos, celebra a memória dos principais profetas: o profeta Abdias no dia 19 de novembro; Naum – 01 de dezembro; Habacuc – 02 de dezembro; Sofonias – 03 de dezembro; Ageu – 16 de dezembro; e Daniel – 17 de dezembro; os santos apóstolos – Mateus – 16 de novembro e André – 30 de novembro; o santo Padre Nicolau – 06 de dezembro; o venerável João Damasceno – 04 de dezembro e Saba, o Santificado – 05 de dezembro; os mártires, homens e mulheres, mais notáveis – assim como, Urias – 15 de novembro; Catarina – 24 de novembro; Bárbara – 4 de dezembro; Eustrátio – 13 de dezembro; Inácio – 20 de dezembro; Anastácia – 22 de dezembro; e Eugênia – 24 de dezembro, e finalmente os dois últimos dedicados Patriarcas e santos Padres do Antigo Testamento.

Os fiéis se preparam para a solenidade da Natividade de Nosso Senhor, não apenas por orações e jejum, mas também por participar dos Sacramentos da Penitência e da Santa Eucaristia.

O Sínodo de Lviv (1891) atenuou o jejum de Natal um pouco, permitindo laticínios nas segundas-feiras, quartas-feiras e sextas-feiras, e durante os quatro dias restantes da semana carne, mas ele direciona o sacerdote a recitar o Salmo 50, e para os leigos cinco Pais-nossos e cinco Ave-Marias antes do almoço e do jantar.

 

Duração do jejum de Natal

 

Embora no Oriente o jejum de Natal geralmente inicie no dia 14 de novembro, a sua duração era indeterminada e matéria de disputa por algum tempo. A razão para isto era que no Oriente apenas o jejum pascal era prescrito pela Igreja enquanto que os outros três jejuns anuais, ou seja, os jejuns dos apóstolos, da Dormição da Santíssima Mãe de Deus, e do Natal, desenvolveram-se por meio do costume ao invés da legislação.

Até o Concílio de Constantinopla em 1166 a duração do jejum de Natal não havia sido ainda finalmente determinada. Este Concílio assegurou durante o tempo do patriarca Lucas Crisoberges e o imperador Manuel I Comneno, legislaram um jejum de quarenta dias antes do Natal e ordenaram para que iniciasse na solenidade de são Felipe, isto é, no dia 14 de novembro. Por esta razão, ele recebeu o nome de Jejum de São Felipe ou Pylypivka (em ucraniano).

O metropolita George de Kiev, chamou o jejum de Natal de Jejum de São Felipe ou Pylypivka que significa que o seu início é no dia 14 de novembro, na solenidade de são Felipe. Durante o Jejum de São Felipe, ele prescreveu exatamente o mesmo jejum e prostrações como durante a Petrivka ou Jejum de São Pedro; comida era para ser levada em conta uma vez por dia sem leite e carne, e aos sábados e domingos peixe era permitido duas vezes ao dia. O metropolita de Kyiv, Máximo (1283-1305), chamou o jejum de Natal de jejum de quarenta dias.

Deixemos o nosso amor por Cristo, o bem de nossas almas, e o amor por nossa sagrada Tradição serem os principais motivos de nossa preparação para o Natal – por meio de oração, jejum, e o recebimento dos Santos Sacramentos.

 

Fonte: Fonte: KATRIY, Yulian Yakiv. Conheça o seu rito: o ano litúrgico da Igreja Greco-Católica Ucraniana. Roma: PP. Basiliani, 1982.

 

 

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